Caminhada à Santiago – Primeiro Dia

Hoje é o 1º dia…do resto das suas vidas

Madrugada de quarta feira. Tocam os despertadores de alunos da Escola Secundária de Vila Verde que decidiram fazer o X Caminho de Santiago. Despertadores? Engraçado, se separarmos a palavra fica “desperta-dores”. Ou seja, tem tudo a ver com o que vai acontecer ao longo de cinco dias de Caminho e outros, já depois de chegarem a casa, até “aterrarem” em definitivo e perceberem que valorização interior adquirida, supera todas as dores sentidas e…consentidas.

Os últimos dias de aulas deste período têm sido divididos a estudar para testes e em treino de caminhada para aquela que será, seguramente, a melhor experiência das suas, ainda curtas existências. Preparar o saco foi mais problemático do que responder a algumas questões de Português, História ou Matemática, pois a organização nestes últimos dias massacrou-os com o que é essencial…deixar em casa. Pedimos que organizassem o saco com tempo para não esquecerem nada e no último dia, aconselhamo-los a tirar tudo o que estava já bem acondicionado e a levarem apenas…metade. E, só irão perceber que levam ainda coisas em excesso quando, no final do dia, tiverem de carregar o saco escada acima para o albergue, ou, na manhã seguinte, quando tentarem fechá-lo e não conseguirem ou estragarem o fecho a tentar. Atendendo aos dez anos de experiência, fomos alertamos sobre os malefícios do excesso de bagagem, mas eles (principalmente elas) argumentam, que nas edições anteriores os finalistas não tinham as mesmas necessidades. É verdade, são todos diferentes mas (nós sabemos) no fundo…são todos iguais naquilo que querem levar e… não vão precisar. Quando dissemos que uma toalha de banho chega perfeitamente, as donzelas olharam para nós com cara de quem não acredita no que está a ouvir, os professores que deviam ser os primeiros a incentivar à higiene pessoal, a dizerem uma barbaridade destas – levar uma toalha apenas – impensável. Quando alvitramos que o shampoo pode servir para lavar o corpo, ou o gel de banho para a cabeça, então já começaram a duvidar da nossa sanidade mental. Em oposição, pensaram estar a sonhar quando aconselhamos a levar extensões, e com as meninas já a marcar “consulta” no cabeleireiro mais próximo, acordaram ao perceber que falávamos de extensões elétricas para carregar telemóveis à noite. Enfim, a exemplo de anos anteriores, percebemos que a tradição ainda é o que era…não nos ouvem agora, vão perceber à custa deles e vão ouvir, de certeza, alguns de nós, à noite… a ressonar. A importância d’O Caminho também começa aqui pois, como na vida, há que fazer escolhas, o que levar o que deixar para trás, e depois viver em consequência dessas opções. O Caminho, sendo uma alegoria da vida, vai prepará-los também para isso.

Mas, nestes dias que se seguem verdadeiramente essencial é que eles percebam que há sempre uma seta amarela a indicar-lhes o percurso.

Diariamente daremos conta do “crescimento” dos nossos finalistas e das peripécias que uma aventura destas sempre encerra.

Ultreya e Suseya…