Caminhada à Santiago – Quarto Dia

The wrong Way“* para o albergue… The Way

Hoje o dia começou cedo. A convite dos monges um grupo de professores foi assistir às orações da manhã, as vigílias. O misticismo do local e do ritual entusiasmaram-nos, mas, e apesar dos livros terem certos trechos com pautas musicais, não ouvimos os cânticos gregorianos que nos motivaram a sair da cama tão cedo (5h). Após as vigílias que duraram sensivelmente 45 minutos voltamos à cama para, pouco depois, de lá saímos novamente. Pequenos almoços tomados e a leitura do pensamento do dia a acontecer na igreja principal do convento. Quiçá para compensar a falta do cantar dos monges, uma aluna encantou os presentes com um cântico apropriado ao local. Falou-se depois do cansaço que todos deveriam estar a sentir após a “maratona” de ontem, mas explicamos aos alunos que o cansaço físico é o de mais fácil recuperação. Preocupantes mesmo, são outros cansaços: O das relações que temos ou de que sentimos falta ou o psicológico que às vezes nos faz cansar de nós próprios. Sugerimos que pensassem em si e nos diferentes cansaços, e que refletissem também sobre as fragilidades sentidas, entre dores, momentos de esperança e saudades.

Nós sabíamos que eles queriam andar muitos quilómetros, a exemplo de ontem, mas hoje, só tínhamos 22 para oferecer. Depois de uma foto conjunta com um dos monges, a saída do mosteiro foi digna de um filme da Disney, nevoeiro, chuva fininha e, mais de 5 dezenas de corcundas de Notre Damme, com ponchos vestidos e mochilas às costas, a saírem animatos a cantar. O almoço estava previsto para Boimorto, nome de localidade que a todos abriu o apetite. Duas horas depois, após passar por bosques e estradas, num cruzamento, uma placa indicava, Boimorto – 2km, animamos e aceleramos, 200m à frente outra placa indicava Boimorto – 3km. Pensei, isto está mau, queres ver que afinal o Boi está vivo e a fugir? Meia hora depois, chegamos lá, já com sol radioso. Um belo caldo galego, cordero, e trutas, fizeram a delícia de alguns peregrinos, enquanto outros, optavam por piquenique ou sandes típicas de MacDonalds (o boi tinha fugido mesmo). Com as nuvens a começarem a carregar, saímos da localidade meia hora depois do último grupo, seguimos caminho e sensivelmente 1 km depois encontramos setas a apontar para dois locais distintos. Numa, Santiago estava a 40km, noutra a 48km. O nosso percurso era o mais longo porque tínhamos previsto dormir em Arzua, mas conhecendo quem levamos, pensamos que muitos poderiam ter optado (erradamente) pelo caminho mais curto para Santiago, sem perceberem que se aproximam de lá, mas se afastavam de Arzua onde temos de dormir hoje. Seguimos a caminho correto e pedimos às carrinhas de apoio para irem ao outro percurso ver se encontravam alguém. Só nos faltou acertar no euromilhões, pois 15 minutos depois apareceram as carrinhas cheias de “peregrinos apressados” que já tinham feito 5 a 6 km de um Caminho …errado. Colocados no percurso certo, com autorização para descontar os km efetuados a mais, todos chegaram felizes ao albergue, “The Way“. Os professores mais calmos, e sem pressa, foram fazendo render a tarde e tiveram de prémio uma valente chuvada que os fez chegar a pingar ao albergue. O jantar, “pollo” com batatas fritas, animou as hostes para uma noite bem passada num albergue 5* (em 10 anos de Caminho, este ocupa o 1º lugar em termos de qualidade). A qualidade da net também permitiu muitas partilhas de fotos e percebermos pelas redes sociais os familiares ficarem felizes, ao verem caras sorridentes e com aspeto de bem alimentadas.

*O caminho errado