Caminhada à Santiago – Quinto Dia

Empatia em vez de simpatia e um Fred Astaire improvável

A noite foi chuvosa e o dia não começou melhor, mas o facto de o Albergue servir pequenos almoços ajudou a minimizar atrasos na saída. O pensamento do dia, hoje, falava de pessoas convencidas e egoístas e do facto de ficarem preocupadas apenas consigo próprias. Pegando nesta constatação da Vasco Pinto de Magalhães sj. o professor Manuel Rodrigues pediu aos alunos que não tentassem apenas ser simpáticos, mas antes… empáticos. Duas palavras tão parecidas mas com significados tão díspares. A simpatia pode ser, estar perto de outro, até perguntar se precisa de ajuda mas nada fazer por isso, enquanto a empatia é tentar sentir com o outro, partilhar…o mais importante de ser empático é dar algo de si…

O Caminho do Norte ao entroncar no Francês, em Arzua, ganha a multiculturalidade deste. Metemos pés ao Caminho e, esta fez-se logo sentir pois ainda antes de sair da localidade falamos com peregrinos americanos, irlandeses e das filipinas. No decurso da etapa ainda cruzamos com alemães, noruegueses, sul-coreanos, espanhóis e australianos. As dores, hoje já faziam mossa e houve peregrinas a ter de receber assistência no decurso da etapa. Não ao ritmo da fórmula UM, porque não levamos “pneus” suplentes, mas tentando “onsertar” com gel, ligaduras ou comprimidos, as dores, os inchaços ou as bolhas (imagem junta). Nada que obrigasse a desistências pois a resiliência adquirida nestes últimos dias, acrescida da empatia de que todos hoje tinham ouvido falar, e começavam a achar interessante colocar em prática. O dia começou chuvoso, e chuvoso continuou, colorindo o Caminho com ponchos policromáticos e alunos com um andar “wisquisito. A etapa não era muito complicada pois constava de apenas 21 km, com desníveis pouco acentuados, cruzando prados e bosques, ricos em carvalhos e castanheiros. O almoço em Salceda foi mais uma vez variado, mas com quase todos a aproveitarem o caldo galego para aquecer. O início da tarde apresentou-se solarengo, mas, foi mesmo sol de pouca dura e os últimos quilómetros da etapa para os peregrinos mais lentos foram debaixo de forte chuvada. Às 18h estávamos todos descontraídos e (já) bem cheirosos e ainda deu para assistir a uns pezinhos de dança por parte de um expert em bailes de garagem do século passado, que deixou alunas da sua direção de turma estupefactas com o Fred Astaire improvável.

De referir que hoje os nossos alunos encontrarem o andaluz José António Calvo, mais conhecido por José “o Peregrino” que anda em peregrinação pagando promessa (pescador e único sobrevivente de um naufrágio na Noruega) a visitar todos os locais religiosos de referência, no Mundo, tendo passado por Jerusalém, Roma, Lourdes, Polónia, Tibete…e que andava com alguns problemas financeiras para as necessidades mais básicas. Os alunos sensibilizados com a história entenderam todos dar um pequeno contributo para o ajudar.

A noite com chuva forte deu a entender que com esta já não precisamos de nos preocupar amanhã, no grande dia da chegada.