Caminhada à Santiago – Segundo Dia

Sigam as seetas e ninguém se peerde…

Contrariamente ao habitual, hoje a ESVV acordou mais cedo. Algumas dezenas de finalistas apresentaram-se ao serviço, na escola, às 7h da manhã para apanhar um autocarro para Vilalba, cidade do norte da Galiza, conhecida pela emblemática Torre defensiva dos Condes de Andrade e pela Igreja de Sta. Maria. Esta cidade dista sensivelmente 300 km de Vila Verde. Lá chegados por volta das 13h00, aproveitamos para almoçar e, como bons peregrinos, todos partilharam iguarias, as últimas com sabor a casa. Esta foi intensa, pois quanto mais se comesse menos carregariam às costas durante a tarde. Fiquei no entanto preocupado quando logo à chegada um aluno me pediu autorização para ir a uma farmácia. À pergunta: “Ainda não começamos a caminhar e já precisas de medicação?” A resposta célere: “Não professor, vou comprar álcool para assar umas chouriças.” Autorização concedida e, em contrapartida, direito a provar o pitéu. Findo a almoço dirigimo-nos à polícia local e a cafés do centro para colocar o primeiro “cunho” na credencial, para comprovar onde iniciamos a nossa peregrinação. Assim, e mantendo este hábito diariamente, na chegada a Santiago poderemos dirigir-nos à Oficina do Peregrino para obtermos a Compostela, que é dada a quem prove ter percorrido mais de 100 km a pé. Dadas as últimas indicações e lido o pensamento do dia (inserto num roadbook que a todos é oferecido no início da atividade) este alertava-nos para “a necessidade de no início de qualquer empreendimento pensarmos qual a melhor atitude para enfrentar coisas agradáveis ou desagradáveis que nos surjam”. Com este pensamento, de Vasco Pinto de Magalhães, sj. queríamos que eles e elas também percebessem que esta atividade não é para ninguém provar ser o melhor ou o mais rápido, mas sim para enfrentar os problemas e tentar resolvê-los, mas também para não ter receio de pedir ajuda se essa for a melhor solução.

Curiosamente, um dos alertas feitos foi que todos estivessem sempre atentos às setas amarelas e não se limitassem a seguir os da frente…pois poderiam ir enganados. A meio do percurso sensivelmente, um grupo de professores que seguia os alunos da frente chegou a um cruzamento e não havia setas. Os professores também se tinham enganado, uns km atrás, por seguirem…os da frente. Problema resolvido e a etapa faz-se sem problemas de maior com os mais retardatários a demorarem 4h30 a concluir a etapa. Chegados ao albergue, a alegria de todos estarem bem e haver água quente para banhos, só foi superada pela qualidade do jantar trazido de Vila Verde por uma colega de Educação Moral e Religiosa, já habituada a servir-nos com repastos de elevado nível, foi aquilo que se pode designar como um manjar de deuses. Após o jantar e enquanto uns foram até ao café, outros ficaram a tratar dos pés e pernas com massagens e hidratação.

De destacar no percurso de hoje, não termos visto praticamente nenhum aluno usar telemóvel, exceto para fotografar. Vieram a conversar todos animadamente (no dia a dia… só o “fazem” habitualmente com o telemóvel) e houve quem à chegada nos dissesse que lhe doíam mais os maxilares (de tanto rir) do que as pernas.

A título de confidência, percebemos no percurso de hoje que quem tratou da nomenclatura da região devia ter problemas de gaguez, pois só assim se explica que tivéssemos saído de Villalba e passado na ponte de Saa antes de chegar a… Baamonte.