X Caminho de Santiago – Epílogo

Epílogo: É preciso dizer mais alguma coisa?

Terminada mais uma atividade de referência da ESVV, o X Caminho de Santiago, muito já foi dito, escrito e sentido, e outro tanto ficou por dizer, apesar de continuar a ter…sentido. No dia de regresso, inverteram-se os papéis e foram alunos e alunas a acordar professores que “ferrados”, nem os despertadores ouviram. A música portuguesa e tipicamente brejeira (com um tema que me escuso de mencionar) acompanhada do sério aviso que assimilaram durante 5 dias “têm 10 minutos para se apresentar lá em baixo, prontos”, mostrou-nos que aprenderam rápido como se tira gente da cama (conselho aos pais que têm dificuldades em acordá-los de manhã, usem reportório do Quim Barreiros ou da Rosinha, e vão ver em que instante eles se aprontam).

A manhã foi passada na compra de “recuerdos”, a ir à loja do peregrino buscar a justa e merecida Compostela e a assistir à missa do peregrino (onde houve o tradicional bota-fumeiro). Após o almoço, fez-se a reunião final onde expressamos o que poderão representar estes seis dias nas suas vidas, e de seguida, forçamo-los a entrar no autocarro para regressar a casa, o que fizeram, manifestamente contrariados. No regresso, e como habitualmente, solicitamos que escrevessem o que quisessem num espaço específico para o efeito, no livro de pensamentos do dia (que a todos damos e) que também temos. Para memória futura, aqui ficam algumas das manifestações sobre a atividade:

“Obrigado por terem dado sentido a algumas setas da minha vida”; “proporcionaram-me uma das melhores, senão mesmo a melhor experiência da minha vida”; “no Caminho, nem tudo são setas. Obrigado”; “Obrigado por estes dias maravilhosos”; “esta viagem vai ficar definitivamente na minha memória”; “vou levar para sempre esta caminhada no coração. Mais do que valeu a pena”; “Enquanto forem professores da ESVV, por muito poucas inscrições que tenham, nunca deixem de fazer O Caminho, nem que sejam apenas alguns malucos, pois esta é uma experiência MEGA que nem têm noção”. E podia encher uma página de jornal com todos os escritos, mas e em resposta a esta última aluna, apenas direi que nunca pensamos deixar de o fazer e nunca haverá poucas inscrições, porque a melhor publicidade é feita pelas centenas (como ela) que já o realizaram connosco e partilham estes sentimentos. Quanto ao não termos noção…”olha que temos, e é por isso que anualmente, o fazemos”.

Agora, de volta ao ritmo da “vida louca” com horas para tudo, imagino o que os nossos caminheiros estarão a sofrer em casa, porque nós professores, sentimo-lo também na escola, nas reuniões de avaliação. Nestes últimos dias a seguir setas amarelas, esquecemos quase tudo o resto, porque elas levam-nos a locais que não imaginávamos que existissem; fazem-nos descobrir amigos, em gente com quem convivemos diariamente mas que na realidade não conhecíamos; mostram-nos fragilidades, sorrisos, bolhas, dores, medos, e ajudam-nos a ser pessoas inteiras, mais conscientes de nós próprios.

Um agradecimento especial ao Diário do Minho por divulgar e apoiar esta atividade, extensível a todas as entidades e particulares que de alguma forma nos permitem manter esta “saudável loucura anual” para os nossos finalistas.

Termino com um alerta aos alunos do 11º ano da ESVV: Para o ano, haverá o XI Caminho!… Percebem a coincidência? É preciso dizer mais alguma coisa?